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padre tarcisio

Com a Vigília Pascal iniciamos os cinqüenta dias do Tempo Pascal. Agora tudo é luminoso, a cor será branca, o Círio Pascal, símbolo do Cristo, Ressuscitado, nos acompanhará até o Domingo de Pentecostes, e cantaremos de maneira vibrante, o Aleluia como louvor a Deus que Ressuscitou o seu Filho Jesus. Todo o Tempo Pascal é como se fosse um único dia de festa em honra do Cristo Ressuscitado vencedor da morte e do pecado. Por tudo isso, o Tempo Pascal é uma excelente oportunidade para reavivar a alegria de sermos cristãos, discípulos missionários de Jesus Cristo, agradecer pelo Batismo recebido e confirmar a nossa disponibilidade no seguimento de Jesus Cristo, e na vida em Comunidade. De maneira especial, por estarmos no Ano Nacional do Laicato, reflitamos sobre o Batismo como fonte de todas as vocações, primeiro chamado a sermos todos, sal, luz, e fermento na sociedade, animando as realidades do mundo com os valores do Reino de Deus, e fazendo com que as estruturas da sociedade sejam humanas, e civilizadas, e estejam a serviço do bem comum de todos.

 

 

Sugiro a todos os membros de nossas Comunidades a leitura do livro dos Atos dos Apóstolos durante esse Tempo Pascal. Aí se conta que o Espírito Santo prometido faz nascer a Comunidade Cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do Cristo Ressuscitado. E também nesse livro encontramos os pilares que sustentam e animam as Comunidades: “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos (catequese e comunhão), na comunhão fraterna (partilha dos bens e dos dons), no partir do pão (Eucaristia), e nas orações” (At 2, 42).

 

Que a experiência das primeiras Comunidades cristãs sirva de exemplo e estímulo para nossas Comunidades hoje, serem cada do Pão, da Palavra, da Caridade, e da Comunhão.

Padre Tarcísio

COMEMORAÇÃO DOS MEUS 30 ANOS DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL, E DE MEUS 25 ANOS DE SERVIÇO PASTORAL À PAROQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, VILA FÁTIMA – CELEBRAÇÃO DE AÇÃO DE GRAÇAS
“Ó SENHOR EU CANTAREI ETERNAMENTE O VOSSO AMOR” (Sl 89,2)

 

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres” (Lc 4,18). Esse é o lema que eu escolhi para animar, e para inspirar minha vida sacerdotal. De fato ao longo desses 30 anos de ministério sacerdotal eu tenho me pautado por esse lema. Fui ungido sacerdote, pastor, e profeta. Sacerdote para presidir a celebração dos Sacramentos, tendo a Eucaristia como ápice, procurando santificar o amado povo de Deus. Pastor para animar, conduzir, cuidar, e presidir na fé, na esperança, e no amor as comunidades eclesiais confiadas a mim pela Igreja. Profeta para animar o povo de Deus na busca da justiça, na vivência dos valores do Reino, no anúncio da Palavra de Deus, e na denúncia das injustiças, e de tudo o que prejudica a vida das pessoas, principalmente dos mais pobres e marginalizados; profeta para consolar os tristes, desanimados, abatidos, e oprimidos; profeta para ser sinal de esperança de uma nova história, de uma vida nova e reconstruída na graça e no amor de Deus. Não posso deixar de mencionar que a comemoração dos meus 30 anos de ordenação sacerdotal, e de meus 25 anos na paróquia, acontece no Ano Nacional do Laicato. Quero sempre caminhar junto com os cristãos leigos e, leigas, os incentivando, e os animando a serem sal, luz, e fermento no mundo, testemunhando assim os valores do Reino de Deus, e construindo uma sociedade civilizada, sem os males da violência, e da injustiça.

 

Agradeço a Deus pelas maravilhas que ele realizou em mim e através de mim nesses 30 anos de sacerdócio, dos quais 5 anos vividos na Paróquia Santo Antônio, em Pimentas , e 25 anos vividos na Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Nesses 25 anos de serviço pastoral a esta paróquia procurei fazer uma caminhada com as comunidades, e as lideranças leigas na sinodalidade, na comunhão, e participação. Temos construído, juntos uma bonita história na caminhada evangelizadora, com espírito missionário, na vida das comunidades que compõem a paróquia Nossa Senhora de Fátima. Nesses 25 anos a serviço da paróquia tive mais alegrias que tristezas, enfrentei muitos desafios, e obstáculos, que foram vencidos pela graça de Deus e pelo apoio das comunidades. É claro que ainda temos desafios, e dificuldades a serem enfrentadas. Todas as conquistas adquiridas não foram só minhas, mas de todo povo de Deus caminheiro na paróquia. Peço perdão a Deus pelas minhas faltas, e fraquezas, e a todos os que por ventura eu tenha ofendido, magoado, ou escandalizado, peço perdão também de todo o coração. Muitas vezes errei, mas com uma vontade de acertar. Peço a Deus que tenha misericórdia de mim, bem como a todos os meus paroquianos.

Renovo meu compromisso de continuar doando minha vida por amor, a serviço de todos, como sacerdote, profeta, e pastor. Não deixem de rezar por mim. Com vocês eu tenho aprendido a ser sacerdote. Vocês são meus mestres. Continuemos juntos na missão, na comunhão, e na participação.

 

Que a Virgem Maria, de quem sou devoto seja sempre minha intercessora, protetora, modelo de vocação, e de fidelidade a Deus.

 

Bendito seja Deus pelos meus 30 anos de ordenação e vida sacerdotal.

 

Bendito seja Deus pelos meus 25 anos de serviço pastoral à paróquia Nossa Senhora de Fátima, como Pároco.

Padre Tarcísio.

SER VOLUNTÁRIO!

A MESSE É GRANDE, MAS OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS. O SENHOR TE CHAMA! QUAL É A SUA RESPOSTA?

 

Ser voluntário é saber compartilhar o que temos de mais precioso: amor, felicidade, sabedoria, conhecimento, tempo e humildade. O voluntariado, então pressupõe o compartilhar, e não o descartar as sobras do cotidiano. É uma relação humana, rica e solidária. Ser voluntário não é tapar buracos e compensar carências. É contribuir, de modo contínuo e duradouro, para ajudar quem necessita e melhorar a qualidade de vida da comunidade. Uma oportunidade de fazer amigos, viver novas experiências, conhecer novas realidades. É ensinamento e aprendizado. Todos, independentemente da idade e das condições físicas, têm capacidades, habilidades e dons que podem ajudar alguém.

Prestar um trabalho voluntário não é uma atitude casual. Deve ser realizado com consciência, responsabilidade e comprometimento. Portanto, assuma somente aquilo que você tem certeza de poder realizar. Venha ser voluntário! Junte-se a nós! Conheça nossas pastorais e o que elas fazem. Todas elas necessitam de mais agentes, de voluntários. Muitos trabalhos não estão acontecendo, ou não estão crescendo, por falta de agentes, isso tem gerado perda da capacidade missionária e cansaço. Necessitamos de mais agentes para as diversas pastorais de nossas comunidades. Temos muito trabalho para realizar. Precisamos de você. Procure a comunidade e manifeste a sua aptidão por alguma pastoral. O Papa Francisco, na alegria do Evangelho nº 81, diz: “Quando mais precisamos de um dinamismo missionário que leve sal e luz ao mundo, muitos leigos temem que alguém os convide a realizar alguma tarefa apostólica e procuram fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre”.

É urgente desenvolver nos leigos as atitudes de gratuidade e de alteridade, para que se abram ao serviço como voluntário. A alteridade se fundamenta na encarnação e se refere ao outro, ao próximo, àquele que em Jesus Cristo é me irmão ou minha irmã, mesmo estando do outro lado do planeta. Em outras palavras, alteridade significa que eu existo no outro. A gratuidade encontra no mistério pascal sua máxima expressão e sua fonte permanente. A vida só se ganha na entrega, na doação por amor. “Quem perder a sua vida por causa de mim a encontrará!” (Mt 10,39). Com as atitudes de alteridade e gratuidade os leigos promovem a comunhão fraterna, a compaixão para com os pobres e marginalizados, a justiça e a paz. Quem experimentou verdadeiramente o amor de Deus que salva e liberta se torna um voluntário, sai em missão. “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16). Que inspirados na consciência missionária do apóstolo Paulo, sejamos os discípulos missionários de Jesus Cristo que o mundo e a Igreja necessitam. Não deixemos que nos roubem a disponibilidade para servir.

Coragem! Sigamos em frente na construção do Reino de Deus.

Deus abençoe a todos e a todas.

Padre Tarcísio.

SEMANA SANTA

 

“Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). É isso que vamos celebrar nesta semana, chamada a semana maior, a Semana Santa. “Não existe amor maior do que dar a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Ele nos amou até o fim, até a entrega da vida por amor.

Quero motivar todo povo de Deus, que caminha e participa das Comunidades, que compõe a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, a participar e a viver intensamente as celebrações da Semana Santa.

 

A Semana Santa, que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém (Diretório da Liturgia 2018, página 76).

Devemos viver a Semana Santa iluminados pelo exemplo de Jesus, que passou a vida amando, servindo, acolhendo, perdoando, libertando, promovendo a vida e revelando que Deus é Pai de misericórdia, e que nós somos irmãos e irmãs. Imitemos Jesus no amor-doação, para que possamos construir uma terra sem os males da ganância, do egoísmo e da violência. Que a Campanha da Fraternidade deste ano que tem como tema Fraternidade e Superação da Violência nos ajude também na vivência da Semana Santa. A Campanha da Fraternidade, abordando a realidade da violência, nos provoca a sermos construtores da paz e gestores de fraternidade. Superar a violência é tarefa de todo cristão, pois recebemos o mandamento do amor como vocação e missão. Somos sempre convidados e provocados a viver como irmãos, como irmãs. A vida familiar, a vida comunitária, a vida social pedem uma renovação e transformação contínua.

Quero destacar a importância da participação de todos  (as), nas celebrações do Tríduo Pascal. Nenhum cristão católico deveria deixar de participar. Que seja uma prioridade e um  compromisso de todos.

O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa Vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. É o ápice do ano litúrgico porque celebra a Morte e a Ressurreição do Senhor, “quando Cristo realizou a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus pelo mistério pascal, quando morrendo destruiu a morte e ressuscitando renovou a vida” (Diretório da Liturgia 2018, página 79). Seria lamentável pois, reduzir a Semana Santa a um feriadão, com praias, piscinas e outras diversões, quando estes dias deveriam ser aproveitados para uma participação maior nas celebrações litúrgicas nas comunidades e para refletir sobre os passos decisivos da jornada terrestre de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Façamos, portanto, da Semana Santa um grande retiro espiritual para nós, participando das celebrações, da procissão do encontro, do ofício das trevas, da via-sacra, e realizando momentos de oração individual, e meditando a Palavra de Deus. Sugiro que se faça a Leitura Orante da Bíblia, pode ser feita pelos membros da família ou individualmente. Indico os seguintes textos bíblicos para a sua escolha: Mt 5,1-12; 5,17-20; 5,21-26; 5,38-48; 6,7-15. Os passos para a Leitura Orante são: Leitura do texto: destacar o que mais chamou a atenção. Meditação: o que o texto diz para mim e para nós? Oração: o que o texto me faz dizer, ao falar com Deus? Pode ser uma oração de louvor, de súplica, de agradecimento, de perdão e de adoração. Contemplação: o que o texto me leva a ser e a fazer? Formular um compromisso de vida e escolher uma palavra ou uma frase que resuma este compromisso para memorizar, e depois colocar em prática. Que estes dias sejam também dias de silêncio, de revisão de vida e de uma maior união com Jesus Cristo, e assim podermos seguir seus passos e participarmos de sua vitória. Façamos nestes dias também o jejum da televisão, do rádio e da internet.

Que a Semana Santa nos torne mais comprometidos com Jesus Cristo, com a ação evangelizadora da Igreja, com a superação da violência, promovendo a cultura da paz, e trilhando o caminho da não violência.

 

Uma boa e frutuosa Semana Santa a todos e a todas.

Padre Tarcísio.

Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!

A minha palavra deste mês é de agradecimento a Deus pelas maravilhas que Ele, na sua bondade e no seu amor, realizou através de nós evangelizadores e evangelizadoras na vida das comunidades que compõem a nossa paróquia, no ano de 2017. Quero destacar algumas atividades realizadas.

 

 

Iniciamos nossa caminhada pastoral com duas noites de animação missionária para as lideranças pastorais, com o objetivo de aprofundar a dimensão missionária que deve estar presente nas pastorais e em cada cristão. Pelo Batismo, nos tornamos discípulos missionários de Jesus Cristo, portanto nossa vida é missão.

 

No dia 02 de fevereiro, na celebração da Apresentação de Jesus no templo realizamos a abertura do Ano da Pastoral de nossa paróquia. Na caminhada pastoral continuamos trabalhando as cinco Urgências na Ação Evangelizadora, para que sejamos Igreja em estado permanente de missão, casa da iniciação à vida cristã, lugar de animação bíblica da vida e da pastoral, comunidade de comunidades, a serviço da vida plena para todos. Iniciamos a caminhada da catequese de inspiração catecumenal com formação para os catequistas e conscientização dos agentes de pastoral e de todo o povo que participa de nossas comunidades. Foram celebradas missas nas ruas, com objetivo missionário e para fortalecer a caminhada dos grupos de base. A leitura orante nos grupos de base e em nossas reuniões avançou ainda mais, e percebemos que esse método de leitura da Bíblia está se estruturando em nossa paróquia.

 

Celebrando o Ano Nacional Mariano, em comemoração aos trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida, e os cem anos das aparições de Nossa Senhora em Fátima, aconteceram as peregrinações das duas imagens em nossa paróquia,com celebrações e outras atividades envolvendo todas as comunidades. Foram momentos de fé, de compreensão da verdadeira devoção mariana e de agradecimento a Deus pelas bênçãos e graças concedidas ao povo através de Nossa Senhora. Fátima e Aparecida, a mesma Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus, e nossa Mãe que nos pede para fazermos o que seu Filho Jesus nos mandar.

 

Vários encontros de formação, celebrações paroquiais e diocesanas foram realizadas, para dar sentido à comunhão e uma maior identidade, de que a paróquia são as quatro comunidades, e que fazemos parte de uma Igreja diocesana. Em comunhão com a Diocese, participamos da Romaria Diocesana em Aparecida. Nossa paróquia, por meio de alguns agentes de pastoral, participou do encontro interdiocesano de CEB’s, em preparação ao intereclesial de CEBs, de 23 – 27/01, em Londrina PR.

 

Na celebração de Cristo Rei, iniciamos o Ano Nacional do Laicato. Formamos uma comissão de dois 12 leigos e leigas de nossas comunidades para representar a paróquia nas atividades desse ano.

 

A Pastoral da Esperança, a mais nova da paróquia, deu seus primeiros passos levando conforto espiritual e esperança às famílias enlutadas, e acolhendo-as na missa da esperança, que é celebrada toda quarta-feira na Igreja matriz da paróquia. O boletim informativo, instrumento de comunicação das comunidades, passou a ser jornal, com o nome Boa Notícia.

 

Apesar de inúmeros desafios, nossa paróquia está caminhando bem. Existem muitos esforços e muita dedicação da maioria de nossas lideranças, para que a evangelização aconteça de fato. Como foi apresentado na assembleia paroquial, que aconteceu no dia 02 de dezembro do ano passado, é urgente trabalharmos melhor as pastorais sociais, suscitando novos agentes e criando consciência em seus agentes de sua verdadeira missão; faz-se necessário uma maior articulação entre elas.

 

Parabéns a todos e a todas pela caminhada evangelizadora do ano de 2017.

 

Que continuemos animados e firmes na caminhada evangelizadora neste ano de 2018, confiando na promessa de Jesus, que garantiu estar sempre conosco.

 

Deus abençoe a todos.

Padre Tarcísio.

Neste mês de dezembro quero refletir com vocês sobre os meios que a Igreja usa para atingir as pessoas com a sua ação evangelizadora, que são as pastorais. Pastoral vem da palavra pastor, que significa pastorear, apascentar. A missão da Igreja é apascentar o povo de Deus, sendo imagem de Cristo o Bom Pastor que dá vida e esperança a todas as pessoas. Portanto, as pastorais devem santificar o povo de Deus, salvar vidas, serem sinais de esperança, e ser um oásis de misericórdia para quem as procura. Através das pastorais a Igreja evangeliza atingindo as pessoas nas várias realidades, e etapas da vida. As comunidades se organizam a partir das pastorais, e elas surgem e acontecem a partir das necessidades das pessoas. É claro que existem três atividades permanentes que a Igreja deve sempre oferecer ao povo de Deus, e que não podem faltar no trabalho das pastorais. São elas: A Palavra de Deus, a Eucaristia, e os demais Sacramentos, e a Caridade Fraterna. Um dos grandes desafios para as nossas pastorais é a falta de pessoas, que queiram se comprometer com elas. Vivemos em uma sociedade marcada pelo individualismo, e pela indiferença. Essas realidades impedem o crescimento de nossas pastorais.

 

 

O Documento de Aparecida aponta que os melhores esforços das paróquias neste início do terceiro milênio devem estar na convocação e na formação de leigos missionários. Só através da multiplicação deles poderemos chegar a responder às exigências missionárias do momento atual. Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização dos homens e mulheres em cada ambiente.

 

Não podemos fazer um trabalho de manutenção apenas, mas de conquista. Por isso o Documento de Aparecida indica a conversão pastoral e renovação missionária de nossas comunidades, pastorais, e de todas as organizações eclesiais. A conversão pastoral requer que as comunidades eclesiais sejam comunidades de discípulos missionários ao redor de Jesus Cristo, Mestre e Pastor. Daí nasce a atitude de abertura, diálogo e disponibilidade para promover a co-responsabilidade e participação efetiva de todos os fiéis na vida das comunidades cristãs. Portanto precisamos sair de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária, e ninguém deve isentar-se deste compromisso.

 

Todo o trabalho de nossas pastorais devem se inspirar no mandamento novo do amor (cf Jo 13,35). A Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração. Como Cristo atrai todos pela força do amor, a Igreja atrai pela comunhão, e pela vivencia do amor entre seus membros. Hoje o relacional é mais importante. Se a comunidade me atrai, se ela me dá mais vida, mais amor, então, a comunidade é importante para mim. Como diz o beato Papa Paulo VI no seu documento a evangelização no mundo contemporâneo: É preciso evangelizar não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade e isto até as raízes.

 

Valorizemos nossas pastorais tornando-as sempre mais missionárias, e atraentes. Que os agentes das pastorais possam assumi-las com ardor missionário, com uma paixão, e um encantamento. Que sejam agentes evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo. Jesus quer evangelizadores que anunciem o Evangelho não só com palavras, mas, sobretudo com o testemunho, pois evangelizar é antes de tudo dar testemunho.

 

Motivados pelo Ano Nacional do Laicato, sejamos Igreja em saída, leigos, e leigas em saída, pastorais em saída.

Que Deus abençoe e fortaleça a todos e a todas.

 

Padre Tarcísio.

A Igreja no Brasil se prepara para a Campanha para a Evangelização, que acontecerá do Dia de Cristo Rei até o 3º Domingo do Advento. A iniciativa visa despertar os discípulos missionários para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade com a sustentação das atividades pastorais no Brasil. Nesta edição, é proposto o tema “Cristãos leigos e leigas comprometidos com a Evangelização” e o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5, 13-14), em sintonia com o Ano Nacional do Laicato, que terá início no mesmo dia da Campanha.

 

Outro objetivo da Campanha é favorecer a vivência do tempo litúrgico do Advento e mobilizar os católicos do Brasil para uma Coleta Nacional que ofereça recursos a serem aplicados na sustentação do trabalho missionário no Brasil. Tal iniciativa considera a ajuda para dioceses de regiões mais desassistidas e necessitadas.

 

Coleta

 

O gesto concreto da Campanha para a Evangelização é a Coleta do 3º Domingo do Advento. De acordo com a Comissão Episcopal responsável pela campanha, pretende-se com os recursos arrecadados neste ano apoiar as inúmeras iniciativas da Igreja no Brasil promovidas pelos cristãos leigos e leigas no serviço da evangelização, da dinamização das pastorais, na luta pela justiça social, nas experiências missionárias das Igrejas irmãs e na missão ad gentes.

 

A colaboração na Coleta será partilhada, solidariamente, entre as dioceses, que receberão 45% dos recursos; os 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que terão 20%; e a CNBB Nacional, que contará com 35% das contribuições.

Neste mês de novembro quero refletir com vocês sobre as Celebrações de Finados, Todos os Santos e Santas, e Cristo Rei do Universo.

 

Finados: Nesse dia, não só recordamos nossos entes queridos que se foram, mas renovamos nossa certeza na ressurreição. Sentimos a dor da separação, mas não a do desespero. Sentimos o peso da saudade, mas nunca da incerteza da presença de Deus.

A morte é e sempre será um mistério que perpassa a história humana, e somente a Fé nos dá a certeza de um dia participarmos da alegria eterna no céu. Se com Cristo vivemos, com Ele morremos e como Ele ressuscitaremos. Com a ressurreição de Jesus, a morte foi derrotada, portanto ela não tem a última palavra. A última palavra é do Deus da vida que ressuscitou Jesus. Como afirma o prefácio da Páscoa, 1: “Jesus morrendo destruiu a morte, e ressurgindo deu-nos a vida”. O prefácio 1 da missa para os mortos tem um tom de humana suavidade e divina certeza: “Nele refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que crêem em Vós, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível”.

Vivamos aqui na terra preparando nossa morada no céu, pela vivência das bem-aventuranças, e vivendo a vida na doação por amor.

Todos os Santos e Santas: Celebrar a festa de Todos os Santos e Santas é celebrar a nossa vocação à santidade. Santidade não é privilégio de ninguém. Todos os cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. É bom ressaltar que santidade não é fuga das realidades do mundo, e não é ficar de mãos postas rezando o dia todo. Santidade não é beatice, não é medo de viver, é uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus. Não exige boa aparência. Santidade é viver o projeto de Deus, testemunhar os valores do Reino, viver segundo o espírito das bem-aventuranças, é viver e agir de acordo com a vontade de Deus. Ser Santo significa ser de Deus.

Que o exemplo de todos os Santos e Santas revigore nossa caminhada de santidade.

Cristo Rei: Com essa celebração, a Igreja encerra o Ano Litúrgico. Essa festa celebra o Cristo que reina pela cruz, dando sua vida para que todos tenham vida, e vida em abundância. Cristo é rei, porque se identifica e revela um amor de predileção pelos empobrecidos. Ele afirma que tudo o que fizermos pela libertação e pela promoção da dignidade humana dos empobrecidos e marginalizados, é a ele que estaremos fazendo, cf. Mt 25,31-46. Portanto, essa festa não pode ser compreendida no sentido de triunfalismo e pompa. A festa de Cristo Rei nos mostra o caminho do reino de Cristo: o serviço. Um rei que serve a humanidade, que se fez um de nós para que pudéssemos ter acesso a ele.

Que tenhamos aprendido essa sublime lição e estejamos prontos para servir. Que através da solidariedade, da misericórdia, do serviço que resgata e promove a vida em todas as suas fases e manifestações possamos fazer Cristo reinar no mundo de hoje.

Continuemos firmes evangelizando com amor, ardor, alegria e misericórdia, inspirados por Maria.

 

Padre Tarcísio.

Reunidos no 4º Congresso Missionário Nacional, de 7 a 10 de setembro de 2017, no Colégio Damas, em Recife (PE), nós, os 700 missionários e missionárias, vindos de todas as regiões do Brasil, fomos fortemente desafiados a testemunhar “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. A Arquidiocese de Olinda e Recife, com calorosa e fraterna acolhida, levou nosso Congresso para as ruas, antes mesmo de ele ser aberto, com a realização da Semana Missionária, nos seus oito vicariatos, atitude pioneira que enriqueceu nosso encontro. Seremos sempre agradecidos a esta Arquidiocese pela generosidade e disponibilidade que nos dispensou, nesses dias, no autêntico espírito de serviço amoroso e gratuito.

 

 

Aprendemos com o Papa Francisco que “a alegria é o bilhete de identidade do cristão”. Essa alegria foi o espírito que marcou os quatro dias em que estivemos juntos. Ela nasce do Evangelho que liberta e salva; expressa-se na sinodalidade e na comunhão que impulsionam a vida e a missão da Igreja; anima o testemunho e o profetismo que, a partir da cruz de Cristo, apontam para o nosso compromisso de discípulos missionários e missionárias.

 

Contemplar a realidade com o olhar de discípulo missionário

 

O exemplo dos mártires e profetas, como Dom Helder Câmara, ajudou-nos a olhar para o Brasil, mergulhado numa profunda crise que fere, no coração e na alma, a nós e a tantos irmãos e irmãs empobrecidos, excluídos e descartados.

 

Como se estivesse anestesiada, a população brasileira assiste ao fortalecimento de políticas neoliberais que retiram direitos e agravam a situação dos trabalhadores/as, dos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e dos que vivem em outras periferias geográficas e existenciais. As reformas trabalhista, previdenciária, política e da educação, bem como a retomada das privatizações mostram que o governo e o Congresso Nacional viraram as costas ao povo. A corrupção e a falta de ética, que atingem tanto a classe política, quanto empresarial e outros setores da sociedade, têm levado o desencanto e a desesperança aos brasileiros e brasileiras.

 

Causam-nos indignação a devastação da Amazônia, a degradação da natureza e a violência que ceifa a vida de lideranças, como o assassinato do casal Terezinha Rios Pedrosa e Aloísio da Silva Lara, ocorrido no Mato Grosso nesta semana, e o massacre de indígenas, em agosto deste ano, no Vale do Javari, Amazonas, divulgado enquanto acontecia o Congresso. O decreto do governo que extingue a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) é um duro golpe nos direitos dos povos indígenas e no bioma amazônico.

 

Essa realidade, longe de nos desanimar, cobra-nos uma ação missionária vigorosa, transformadora, libertadora. Revigorados pelo espírito da Conferência de Medellín que, há 50 anos, deu à Igreja Latino-americana o rosto de uma Igreja em saída, pobre, missionária e pascal, somos motivados a vencer a tentação da indiferença, do comodismo, do desencanto, do desânimo e do clericalismo presentes em muitas de nossas comunidades. Somos guiados pela fé e pela esperança cristãs capazes de reacender, no coração de todos, a chama do amor pela vida, pela justiça e pela paz.

 

Discernir os caminhos da missão que gera alegria

 

A palavra de Deus é luz, sabedoria e força que nos tornam discípulos missionários e missionárias ousados e criativos, mais capazes de colaborar com a transformação de estruturas caducas e a construção de uma nova sociedade, que seja sinal do Reino de Deus em nosso meio. Os documentos da Igreja são também fonte salutar que nos ajudam a compreender melhor a natureza missionária da Igreja. Nesse particular, destacamos as palavras e gestos do Papa Francisco, base do conteúdo deste Congresso. É surpreendente como ele se coloca à nossa frente, a passos largos e rápidos. Ele é, verdadeiramente, um profeta missionário que nos anima na caminhada.

 

A missão constitui verdadeiro kairòs, tempo propício de salvação na história. Somos provocados a sair de nós mesmos, deixar nossa terra, tirar as sandálias para “pisar” o solo sagrado do outro, como hóspedes, aqui e além-fronteiras. A proximidade e a reciprocidade levam ao encontro com o outro que faz contemplar o horizonte escatológico do Reino de Deus.

 

Na missão, animam-nos o testemunho e o profetismo de tantas mulheres e homens que encontraram sua alegria no Evangelho e a partilharam com os prediletos de Deus na radicalidade da doação de sua vida. Os profetas e mártires são exemplo de coragem e de fidelidade a Cristo e ao Evangelho até o extremo de entregar a própria vida: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Sustentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, os missionários e missionárias têm, hoje e sempre, a responsabilidade de não deixar morrer a profecia, lembrando que “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

 

Na missão, Aquele que chama e envia, bem como a mensagem enviada e seu destinatário são maiores que o enviado, isto é, o missionário. Sem este, no entanto, não há quem seja enviado e a mensagem do amor de Deus não chega a seus destinatários. O missionário, porém, só cumpre autenticamente a missão se caminhar junto com outros missionários, vencendo a tentação do monopólio da Boa Nova, reconhecendo a riqueza da unidade na diversidade e ultrapassando os estreitos limites da Igreja particular para lançar-se ao mundo. No cumprimento da missão, os evangelizadores se lembrem de que sua alegria não está nos prodígios que possam realizar, no sucesso que venham a alcançar, mas em saber que seus nomes estarão inscritos na “memória afetiva de Deus” por terem sido fieis mensageiros do Evangelho (cf. Lc 10,17-20).

 

Comprometer-se com Jesus Cristo e o Reino de Deus para uma Igreja em saída

 

O 4º Congresso Missionário Nacional foi o encontro de irmãs e irmãos que partilharam sua fé, suas lutas, suas angústias, seus sonhos, suas esperanças. Durante todo o tempo, sentimos agir em nós o Espírito Santo, protagonista da missão, reforçando nossa convicção de que ser missionário é uma graça e uma responsabilidade. Por isso, renovamos nosso compromisso com a Infância e Adolescência Missionária e com a Juventude Missionária, em união com as demais expressões juvenis, a fim de que crianças, adolescentes e jovens sejam protagonistas da missão onde quer que estejam.

 

Reafirmamos a vocação dos cristãos leigos e leigas como sujeitos na missão. Confirmamos o testemunho das consagradas e consagrados, dos seminaristas, dos ministros ordenados – diáconos, padres e bispos – que cada vez mais assumem a missão como resposta ao chamado de Deus. Impulsionados pela Santíssima Trindade, viveremos esta nossa vocação na sinodalidade e na comunhão, comprometidos com a Igreja em saída que promove o encontro e anuncia a alegria do Evangelho a todos. Assumimos a tarefa de apostar, cada vez mais, nos espaços que nos ajudam a ser uma Igreja sinodal, fortalecendo os organismos e conselhos missionários em todas as instâncias.

 

Para a vivência da missionariedade é imprescindível a atitude da escuta. Contribui para isso a formação missionária contínua que alimenta nossa espiritualidade, cria a cultura da missão e contribui para que todos os batizados assumam sua vocação missionária. Assim, onde estivermos iremos ecoar o refrão que ficou gravado em nossos corações: “Tudo com missão, nada sem missão”.

 

Deixemos arder em nosso peito o apelo do Papa Francisco: “Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! (…) Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’ (Mc 6, 37)” (EG, 49).

 

Maria, Mãe Aparecida, comunicadora da alegria do Evangelho, caminhe conosco!

Recife, 10 de setembro de 2017 

Participantes do 4º Congresso Missionário Nacional.

 

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Os membros da Pascom de nossa comunidade, em uma de suas reuniões, ao debaterem o que seria importante para a nossa comunidade, resolveram trazer para o Jornal Boa Notícia, artigos que contemplassem a ligação entre os pais e a educação escolar de seus filhos.

 

 

Já é hora, portanto, de avançarmos na reflexão da delicada relação escola-família. Pois bem, muitos pais se acham no direito de cobrar da instituição escolar atitudes educativas que ela considera dever da família, outros se manifestam totalmente contrários às posições da escola e que não entende como eles podem manter o filho na mesma.

 

Há um grande número de pais, notadamente entre os que matriculam os filhos em instituição particular, que acreditam poder exigir uma escola sob medida para seus filhos. Isso leva a pedidos ou exigências dos mais absurdos, como a troca de turma para o filho estar com amigos, troca de professor de sala ou de disciplina, maior ou menor quantidade de lição a ser feita em casa etc. Isso sem falar da relação pouco respeitosa que os pais mantêm com as regras de funcionamento da escola, tais como horário de chegada e de saída, datas e prazos, uso de uniforme, uso de telefone celular etc.

 

Por que tais solicitações são absurdas?

 

Porque a escola é o lugar de transição entre família e mundo em que os alunos aprendem, entre outras coisas, a viver sem escolher. Essa é uma das características da vida pública: não escolhemos os colegas com quem iremos trabalhar, as pessoas que estarão ao nosso lado no trânsito, as datas para pagar contas e tributos e as leis que temos de respeitar.

 

Precisamos nos lembrar sempre de que a escola tem o dever de preparar os mais novos para a cidadania. Por isso, demandas dos pais que privilegiam o âmbito privado não fazem sentido algum quando consideramos esse exercício que os filhos devem fazer ao frequentar a escola.

 

Esse aprendizado também tem sido dificultado pelo constatado declínio do trabalho educativo das famílias. Os alunos chegam à escola muitas vezes sem o processo básico de educação em curso. Mas, ao contrário do que muitos professores pensam, isso se deve pouco ao descaso ou à ausência dos pais e mais à nossa cultura que “juveniliza” os adultos. É que os jovens -não me refiro à idade cronológica- têm dificuldades de estabelecer relações educativas com os filhos.

Tal fato tem gerado muitas reclamações por parte da escola, porque os mestres, tanto quanto os pais, também estão submetidos a essa cultura. Uma coisa é certa: pais e professores têm objetivos comuns e precisam constantemente recordar que é a educação dos mais novos o foco de sua tarefa educativa. A maioria dos conflitos entre eles não considera esse ponto, e sim anseios próprios de cada um deles.

 

Enquanto tivermos pais aflitos com o que consideram sofrimento dos filhos na escola e em busca de soluções fáceis e escolas mais comprometidas com novas metodologias e com a busca de determinados perfis de alunos em vez de com o uso do rigor e da exigência para alcançar um ensino de qualidade, a relação entre ambos será, necessariamente, conflituosa e desastrosa. Quem perde são os mais novos, que deveriam nortear todo nosso trabalho.

 

Texto da Psicóloga Rosely Sayão adaptado por Eduardo Ferreira Abreu (Pascom)

Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor. Efésios 6:4