Neste mês quero refletir com vocês sobre a quinta urgência na ação evangelizadora da Igreja no Brasil: Igreja a serviço da vida plena para todos.

A vida é dom de Deus, é a primeira vocação que recebemos dele. Somos vocacionados à vida.

A dignidade da vida humana está no centro das palavras e das ações de Jesus. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

A Igreja está a serviço da vida, em todas as suas fases e expressões. Por meio da pastoral social organizada e articulada, a Igreja tem a missão de proclamar e testemunhar o Evangelho da vida, colocando-se de maneira solidária e fraterna a serviço dos indefesos, descartados, dos que são considerados supérfluos, dos que têm seus direitos negados ou diminuídos, dos mais pobres e marginalizados por um modelo econômico do descarte, que privilegia o lucro e o ter a todo custo.

As pastorais sociais não podem fazer apenas um trabalho assistencial, mas principalmente um trabalho promocional e libertador. Elas devem colaborar para a transformação da sociedade segundo o Evangelho e o projeto do Reino de Jesus de Nazaré. É importante ressaltar que a promoção humana é integral, ela deve promover todas as pessoas, e a pessoa toda.

“Os rostos sofredores dos pobres são rostos sofredores de Cristo. Eles desafiam o núcleo do trabalho da Igreja, da pastoral e de nossas atitudes cristãs. Tudo o que tenha relação com Cristo tem relação com os pobres, e tudo o que está relacionado aos pobres clama por Jesus Cristo: “Tudo quanto vocês fizeram a algum destes meus irmãos menores, o fizeram a mim” (Mt 25,40), (Doc. de Aparecida 393).

O serviço de caridade da Igreja entre os pobres “é um campo de atividade que caracteriza de maneira decisiva a vida cristã, o estilo eclesial e a programação pastoral” (Doc. de Aparecida 394).

Embora as pastorais sociais tenham seus agentes, suas lideranças, seu campo de ação, todos os membros da comunidade, em nome da fé e iluminados pela luz da Palavra de Deus, devem ter um compromisso social e solidário com a dignidade das pessoas.

Não pode haver culto verdadeiro a Deus sem compromisso com a vida, a justiça, a paz, sem solidariedade com os injustiçados.

O serviço à vida requer respeito e cuidado com a dignidade da pessoa humana, em todas as etapas da existência, desde a fecundação até a morte natural, não descartar nenhuma pessoa, não tratar ninguém como objeto de uso e prazer, tratar todo ser humano sem preconceito nem discriminação, acolhendo, perdoando, e sendo solidário com as suas necessidades materiais e espirituais.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora destacam que devemos ter um olhar especial para com a família, santuário da vida, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, espaço para a iniciação cristã das crianças, lugar onde se aprende e se vive os valores humanos, éticos e religiosos. Os pais são os primeiros catequistas dos filhos, e eles não podem se omitir desta missão.

Não podemos nos esquecer de que no serviço à vida, devemos ter um compromisso ecológico e ambiental. Devemos cuidar da nossa casa comum, como nos pede o Papa Francisco.

Que as pastorais sociais existentes na paróquia sejam cada vez mais atuantes e comprometidas com a vida, com os mais pobres e mais necessitados. Que surjam mais pessoas para serem agentes nestas pastorais. Quero lembrar que nossa paróquia deve colaborar com a pastoral carcerária da diocese, deve ter uma maior participação na escola de fé e política, e devemos também trabalhar a conscientização política dos membros das comunidades.

Que Deus, Senhor da vida, da história, e de toda a criação, abençoe e ilumine a todos no compromisso com a vida.

Coragem! Mãos à obra. Bíblia na mão e no coração, e pé na missão.

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Padre Tarcísio.