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campanha

A Igreja no Brasil se prepara para a Campanha para a Evangelização, que acontecerá do Dia de Cristo Rei até o 3º Domingo do Advento. A iniciativa visa despertar os discípulos missionários para o compromisso evangelizador e para a responsabilidade com a sustentação das atividades pastorais no Brasil. Nesta edição, é proposto o tema “Cristãos leigos e leigas comprometidos com a Evangelização” e o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5, 13-14), em sintonia com o Ano Nacional do Laicato, que terá início no mesmo dia da Campanha.

 

Outro objetivo da Campanha é favorecer a vivência do tempo litúrgico do Advento e mobilizar os católicos do Brasil para uma Coleta Nacional que ofereça recursos a serem aplicados na sustentação do trabalho missionário no Brasil. Tal iniciativa considera a ajuda para dioceses de regiões mais desassistidas e necessitadas.

 

Coleta

 

O gesto concreto da Campanha para a Evangelização é a Coleta do 3º Domingo do Advento. De acordo com a Comissão Episcopal responsável pela campanha, pretende-se com os recursos arrecadados neste ano apoiar as inúmeras iniciativas da Igreja no Brasil promovidas pelos cristãos leigos e leigas no serviço da evangelização, da dinamização das pastorais, na luta pela justiça social, nas experiências missionárias das Igrejas irmãs e na missão ad gentes.

 

A colaboração na Coleta será partilhada, solidariamente, entre as dioceses, que receberão 45% dos recursos; os 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que terão 20%; e a CNBB Nacional, que contará com 35% das contribuições.

Neste mês quero refletir com você sobre a Campanha Missionária realizada todos os anos no mês de outubro. Esta campanha é promovida pelas pontifícias obras missionárias.

 

 

O mês missionário tem sua origem no Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo de outubro, este ano dia 22). A data foi instituída pelo papa Pio XI em 1926, como dia de oração e ofertas em favor da evangelização do povos. A inspiração vem do mandato de Jesus para anunciar a Boa Nova entre todas as nações.

 

O tema deste ano é: A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída. E o lema: Juntos na missão permanente. O lema reforça a importância de caminharmos unidos, como Igreja, povo de Deus e anunciar a Boa Nova em todos os tempos e lugares. Fechar-se à dimensão missionária implica fechar-se ao Espírito Santo, sempre presente, atuante, impulsionador e defensor. Diante de tantas necessidades pastorais, de tantas situações de injustiças e de violências, nos fecharmos em nossas instituições, salões e templos seria um contra-testemunho evangélico, e estaríamos negando a natureza da Igreja, que é missionária. Igreja em saída é sermos uma Igreja próxima, aberta, capaz de sair de si para ir ao encontro das pessoas, por caminhos novos, como profecia para a sociedade. Este movimento de saída renova a nossa vida e revitaliza a Igreja. Saiamos sem medo para comunicar a todos as riquezas e os valores do Evangelho de Jesus Cristo, que salva e liberta.

 

O objetivo da campanha missionária é sensibilizar, despertar vocações missionárias, criar sempre maior consciência missionária nas comunidades eclesiais e em suas lideranças. Não podemos nos esquecer de que comunidade missionária é compromisso de todos.

 

Neste mês dedicado às missões, cada comunidade da paróquia deve dizer com ardor missionário e com consciência: nossa vida é missão. E assumir para valer este compromisso, através de gestos e atitudes missionárias. Chamo a atenção de todos e todas para o nosso projeto de visitas missionárias, que deve ser assumido por todas as  forças vivas e atuantes das comunidades que compõem a paróquia. Este projeto nos ajudará a concretizar a missão permanente, que é uma das cinco urgências na ação evangelizadora da Igreja no Brasil. A missão com a qual devemos colaborar é de Deus. Os batizados receberam “a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus” e “de estabelecê-lo em todos os povos” (documento conciliar, Luz dos Povos 5). Não podemos fugir dessa responsabilidade. O Documento de Aparecida destaca a corresponsabilidade missionária de todos os batizados. Todos somos discípulos missionários a serviço de Jesus Cristo. Todos os membros da comunidade paroquial são responsáveis pela evangelização de homens e mulheres em cada ambiente (Documento de Aparecida 171).

 

Vivamos intensamente o mês missionário, nos fortalecendo no espírito missionário e nos comprometendo com uma Igreja de saída, como nos pede nosso amado papa Francisco e a Campanha Missionária deste ano. Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo!

 

Que Jesus, o grande missionário do Pai, anime e abençoe a todos e a todas, para que juntos assumamos a missão permanente.

 

Que possamos evangelizar com amor, ardor, alegria e misericórdia, inspirados por Maria.

 

Padre Tarcísio.

A quaresma e a Campanha da Fraternidade

– A Quaresma é o tempo que nos encaminha para a Páscoa. ‘‘A Liturgia quaresmal prepara para a celebração do mistério pascal tanto dos catecúmenos, fazendo-os passar por diversos degraus da iniciação cristã, como os fiéis que recordam o próprio Batismo e fazem penitência.” É um tempo em que fazemos caminho para a Páscoa, motivados pela Palavra e unidos aos sentimentos de Jesus Cristo, cultivando a oração, o amor a Deus e a solidariedade fraterna.

campanha-da-fraternidade-2017

– ”Convertei-vos e crede no evangelho”! A Quaresma é um tempo forte de penitência e de mudança de vida (metanóia), que nos insere no mistério de Cristo, que se traduz na retomada do rumo de Deus, segundo a imagem da parábola do filho pródigo. Conversão que possibilita o retorno da dispersão para a nascente inesgotável da vida, que é a Pascoa de Jesus. Neste horizonte a Igreja reza: ”Daínos , no tempo aceitável, um coração penitente, que se converta e acolha o vosso amor paciente”.

– O insistente apelo à penitência e conversão não apresenta na dinâmica da ”tristeza”, mas de uma ”sóbria alegria”, alimentada pela esperança. ”Vós concedeis, Senhor, aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa”. Quaresma é tempo de conversão, por isso tempo de intensa alegria. Alegria, porque iniciamos nossa caminhada rumo a Páscoa do nosso Salvador Jesus. Se, por um lado, a recordação do sofrimento de Jesus com sua morte na cruz produz em nós uma dor, a Ressurreição nos traz a certeza da vitória e a Quaresma passa a ser um tempo de alegria, pois nos aproxima de Deus e dos nossos irmãos.

– A Quaresma, isto é, quarenta dias, é um tempo de graça e de bênção, marcado pela escuta da Palavra de Deus; de reconciliação com Deus e com os irmãos. Tempo de oração, de jejum como disponibilidade, entrega e docilidade à vontade do Pai; de partilha de bens e de gestos solidários, de atenção misericordiosa com os pobres necessitados.

– A Campanha da Fraternidade quer ajudar a construir uma cultura de fraternidade, apontando os princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade. A vida fraterna é a síntese do Evangelho quanto às relações humanas e testemunha a nossa dignidade como verdadeiros filhos e filhas de Deus.

– A Campanha acontece no tempo forte da Quaresma. Neste tempo litúrgico a prática da esmola, da oração, do jejum, a conversão e a Campanha da Fraternidade tornam-se oportunidades de experimentar a espiritualidade pascal capaz de gerar, ao mesmo tempo, a conversão pessoal, comunitária e social. A Campanha da Fraternidade de 2017 se apresenta como um instrumento à disposição das comunidades cristãs e de todas as pessoas de boa vontade para enfrentar, com consciência critica, o lema: ”Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15), com o tema: ”Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. Uma pessoa de fé que faz sua caminhada quaresmal rumo à Páscoa, ao tomar consciência da realidade do como são tratados os biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente.

– A Campanha da Fraternidade é uma verdadeira iniciação à fé e à sua prática. A conversão quaresmal é, ao mesmo tempo, um voltar-se para Deus, para o próximo e para a vida da criação que nos cerca. O enfoque da Iniciação a Vida Cristã da Quaresma próprio do ciclo do Ano A, ressalta que a conversão e a adesão à vida de fé em Jesus Cristo implicam uma nova postura diante da realidade em que se encontra a vida nos diversos biomas brasileiros. Como é que alguém poderá celebrar a Páscoa ou os sacramentos que o inserem no mistério de Cristo alheio à vida da criação na qual está mergulhado e que o sustenta?

Saiba mais sobre a Campanha da Fraternidade 2017 lendo nosso boletim informativo.

1. As igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) assumem como missão expressar em gestos e ações o mandato evangélico da unidade, que diz: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste“ (Jo 17,12).

2. O testemunho ecumênico coloca–se na contramão de todo tipo de competição e de proselitismo, tão frequentes no contexto religioso. É uma clara manifestação de que o diálogo e o testemunho conjunto são possíveis. É um apelo dirigido a todas as pessoas religiosas e de boa vontade para que contribuam com as suas capacidades para a promoção da convivência, da justiça, da paz e do cuidado com a criação. É, também, uma comprovação de que Igrejas irmãs são capazes de repetir dons e recursos na sua missão.

3. A caminhada ecumênica realizada pelo CONIC tem mais de três décadas. É uma trajetória marcada por fraternidade, confiança, parceria e protagonismo. Dessa trajetória, podem ser destacados como expressões concretas de comunhão fraterna as três Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, realizadas nos anos 2000, 2005 e 2010. Todas elas marcaram profundamente a vida das Igrejas que nelas se envolveram.

4. A motivação para essas Campanhas fundamentou-se na compreensão de que, no centro da vivência ecumênica, está a fé em Jesus Cristo. Isso se deu, porque no centro o movimento ecumênico está marcado pela ação e pelo desafio de construir uma casa comum (oikoumene) justa, sustentável e habitável para todos os seres vivos. Essa luta é profética, pois questionas estruturas que causam e legitimam vários tipos de exclusão: econômica, ambiental, social, racial e étnica. São discriminações que fragilizam a dignidade de mulheres e homens.

5. É exatamente isso que acontece quando, neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) coloca outra vez à disposição do CONIC a Campanha da Fraternidade, seu mais conhecido projeto de evangelização.

6. Com esse espírito, no ano 2000, na virada do milênio e no contexto do grande jubileu, foi realizada a primeira  Campanha da Fraternidade Ecumênica com o tema “Dignidade humana e paz“ e com o lema “Novo milênio sem exclusões”. No ano de 2005, foi realizada a segunda Campanha da Fraternidade Ecumênica. O tema foi “Solidariedade e paz” e o lema “Felizes os que promovem a paz”. A campanha ecumênica de 2010 provocou o debate sobre o papel da economia na sociedade. O tema foi “Economia e vida“, aprofundado com o lema bíblico “Vocês não podem servir ao Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24c).

7. A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016 apresenta o tema “Casa Comum, nossa responsabilidade” e tem como lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,240). O objetivo principal é assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas publicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

8. Nesse tema e nesse lema, duas dimensões básicas para a subsistência da vida são abarcadas a um só tempo: o cuidado com a criação e a luta pela justiça, sobretudo dos países pobres vulneráveis. Nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, queremos instaurar processos de diálogo que contribuam para a reflexão critica dos modelos de desenvolvimento que têm orientado a política e a economia. Faremos essa reflexão a partir de um problema especifico que afeta o meio ambiente e a vida de todos os seres vivos, que é a fragilidade e, em alguns lugares, a ausência dos serviços de saneamento básico em nosso país.

9. Perguntamos: como estão estruturadas as nossas cidades? Quem realmente tem acesso ao saneamento básico? No ano de 2014, o sudeste do Brasil viveu uma das maiores crises hídricas já registradas na historias do país. Quem foi responsabilizados por isso? Por que os serviços de saneamento básico, considerados como direito humano básico pela organização das Nações Unidas, estão em disputas?

10. Com essa CFE colocamo-nos em sintonia com o conselho Mundial de Igrejas e também com o Papa Francisco. Ambos têm chamado a atenção para o fato de que o atual modelo de desenvolvimento está amealhando a vida e o sustendo de muitas pessoas, em especial as mais pobres. É um modelo que destrói a biodiversidade. A perspectiva ecumênica aponta para a necessidade de união das igrejas diante dessa questão. Nossa Casa Comum está sendo ameaçada. Não podemos, portanto, ficar calados. Deus nos convoca para cuidar da sua criação. Promover a justiça climáticas, assumir nossas responsabilidades pelo cuidado com a Casa Comum e denunciar os pecados que ameaçam a vida no planeta é a missão confiada por Deus a cada um de nós.

11. É uma alegria compartilhar que nessa CFE, além das cinco igrejas que integram o CONIC, somaram forças também: a aliança de Batistas do Brasil, o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) e a visão mundial. Outra novidade é que a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica será internacional, porque a Misereor, organização dos bispos católicos alemães para a cooperação e o desenvolvimento, integrou-se nesse mutirão. Nossa oração e desejo é que, mais igrejas e religiões entrem nessa caminhada.

 

E por que discutir sobre saneamento básico no Brasil?

 

campanha-da-fraternidade-2016

 

1. Como já dissemos, o abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios de transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas.

2. A combinação do acesso á água potável e ao esgoto sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental. Há que se ter em mente que “justiça ambiental“ é parte da “justiça social”.

3. Segundo o relatório “Progresso no Saneamento e Água Potável –Atualização e Avaliação dos ODMs 2015” da UNICEF e da Organização Mundial de Saúde (OMS), 2,4 bilhões de pessoas ficaram sem acesso ao saneamento melhorado no ano de 2015.

4. O Índice de Desenvolvimento do Saneamento no Brasil foi de 0,581. Essa posição é inferior aos países desenvolvidos, mesmo frente a vários países da América do Sul.

5. Muito embora tenhamos uma lei que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico, este tema permanece um dos grandes desafios para a qualidade de vida de todas as pessoas.

6. A responsabilidade pela Casa Comum E todos, dos governantes e da população. As comunidades cristãs são convocadas por esta Campanha da Fraternidade Ecumênica a mobilizar em todos os municípios grupos de pessoas para reclamar a elaboração de planos de Saneamento Básico e exercer o controle social sobre as ações de sua execução.

7. Essa ação será orientada pelo tema da CFE “Casa Comum, nossa responsabilidade” e inspirada e iluminada pelo lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). Para tanto, assumimos os seguintes objetivos:

 

Objetivo geral:

 

Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

 

Objetivo específicos:

 

1. Unir igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico;

2. Estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico;

3. Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água;

4. Apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu plano de Saneamento Básico;

5. Acompanhar a elaboração e a execução dos planos Municipais de Saneamento Básico;

6. Desenvolver a consciência de que políticas públicas na área de saneamento básico apenas tornar-se-ão realidade pelo trabalho e esforço em conjunto;

7. Denunciar a privatização dos serviços de saneamento básico, pois eles devem ser política pública como obrigação do Estado;

8. Desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas.