A Palavra do Nosso Pároco – Agosto 2022

Evangelizadores com Espírito

Neste mês quero refletir com vocês sobre o capítulo V da alegria do evangelho, do Papa Francisco, em que ele nos exorta a nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, ouvindo suas intuições, seus apelos, e o que ele nos diz diante dos desafios do mundo atual.
Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que se abrem sem medo à ação do Espírito Santo. Jesus quer evangelizadores que anunciem a boa nova não só com palavras,
mas sobretudo, com uma vida transfigurada na presença de Deus. Uma evangelização com espírito é uma evangelização com o Espírito Santo, visto que ele é a vida da igreja evangelizadora. Evangelizadores com espírito quer dizer evangelizadores que rezam e
trabalham. Do ponto de vista da evangelização, não servem as propostas místicas desprovidas de um vigoroso compromisso social e missionário, nem discursos e ações sociais e pastorais sem uma espiritualidade que transforme o coração.
Sem momentos prolongados de adoração, de encontro orante com a palavra, de diálogo sincero com o Senhor, as tarefas facilmente se esvaziam de significado, quebrantamo-nos com o cansaço e as dificuldades e o ardor se apaga. A igreja não pode dispensar o pulmão da oração. Ao mesmo tempo, é preciso rejeitar a tentação de uma espiritualidade intimista e individualista, que dificilmente se coaduna com as exigências da encarnação.
A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por Ele, que nos impele a amá-lo cada vez mais. Um amor que não sentisse a necessidade de falar da pessoa amada, de apresentá-la, de torná-la conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo imenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração para lhe pedir que volte a nos cativar.
A melhor motivação para se decidir a comunicar o evangelho é contemplá-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração. Às vezes, perdemos o entusiasmo pela missão, porque esquecemos que o evangelho dá resposta às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos nós fomos criados para aquilo que o evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno. A vida com Jesus se torna muito mais plena e, com Ele, é mais fácil encontrar o sentido para cada coisa. É por isso que evangelizamos.
O verdadeiro missionário, que nunca deixa de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com Ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa
missionária. Se uma pessoa não o descobre presente no coração mesmo da entrega
missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite,   faltam-lhe força e paixão. E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, enamorada, não convence ninguém.
Para ser evangelizador com espírito, é preciso também desenvolver o prazer espiritual de estar próximo da vida das pessoas, até chegar a descobrir que isso se torna fonte de uma alegria superior. A missão é uma paixão por Jesus e simultaneamente uma paixão pelo seu
povo. Às vezes sentimos a tentação de ser cristãos, mantendo prudente distância das chagas do Senhor. Jesus, no entanto, quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros.
Cada vez que nos encontramos com um ser humano no amor, ficamos capazes de descobrir algo de novo sobre Deus. Cada vez que os nossos olhos se abrem para reconhecer o outro, ilumina-se mais a nossa fé para reconhecer a Deus. Em consequência disso, se queremos crescer na vida espiritual, não podemos renunciar a ser missionários. Só pode ser missionário quem se sente bem procurando o bem do próximo, desejando a felicidade dos outros. Essa
abertura do coração é fonte de felicidade, porque “a felicidade está mais em dar do que em receber” (At 20,35).
Não se vive melhor fugindo dos outros, escondendo-se, negando-se a partilhar, resistindo a dar, fechando-se na comodidade. Isso não é senão um lento suicídio.
Algumas pessoas não se dedicam à missão porque creem que nada podem mudar, e assim, segundo eles, é inútil esforçar-se. Pensam: “pra que me privar das minhas comodidades e prazeres se não vejo resultado importante?”
Com essa mentalidade, torna-se impossível ser missionário. Essa atitude é precisamente uma desculpa maligna para continuar fechado na própria comodidade, na preguiça, na
tristeza insatisfeita, no vazio egoísta. Trata-se de uma atitude autodestrutiva, porque o homem não pode viver sem esperança: a sua vida, condenada à insignificância, tornar-se-ia
insuportável. Para manter vivo o ardor missionário, é necessária uma decidida confiança no
Espírito Santo, porque ele “vem em auxílio da nossa fraqueza” (Rm 8,26).
Abramo-nos sempre mais ao Espirito Santo, e neste tempo sinodal ouçamos atentamente o que ele nos diz, o que ele diz à nossa igreja.
Deus os abençoe e os ilumine com seu espírito de amor.

 

Padre Tarcísio.

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