Irmãos e irmãs, caminheiros em nossa paróquia. Neste mês, quero refletir com vocês sobre a missão dos cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Esse foi o assunto da semana diocesana de formação deste ano, que aconteceu no final do mês de julho.

 

“Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”, cf. Mt 5, 13-14.

Para que sejamos sal da terra é preciso carregar a característica central: “Se o sal perde o sabor, com que lhe será restituído o sabor? Para nada mais serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens”. Ou seja, se perdemos nossa característica central de cristão, não serviremos. O papa Francisco nos dá a dica para que mantenhamos nossa característica. Ele diz: “Jesus os olha com os olhos de Deus”, e sua afirmação entende-se como consequência das bem-aventuranças, com quem diz: se fordes pobres em espírito, mansos, puros de coração, misericordiosos, pacíficos, se tiverdes sede e fome de justiça, sereis sal da terra e a luz do mundo.

 

O Documento 105 da CNBB, que trata da missão dos leigos e leigas reflete sobre o cristão leigo como sujeito eclesial. Essa expressão pretende animar todos os cristãos leigos e leigas a compreenderem a sua própria vocação e missão como verdadeiros sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram inseridos, reconhecendo o valor de seus trabalhos na Igreja e no mundo. Através dos leigos a Igreja se faz presente nos diversos ambientes sociais transmitindo e testemunhando a mensagem de Cristo, empenhando decisivamente na construção de uma sociedade totalmente justa, humana e inclusiva.

 

“O cristão leigo é verdadeiro sujeito eclesial na medida em que cresce na consciência de sua dignidade de batizado, e assume de maneira pessoal e livre às interpelações da sua fé, abre-se de maneira integrada às relações fundamentais com Deus, com o mundo, consigo mesmo e com os outros, e contribui efetivamente na humanização do mundo, rumo a um futuro em que Deus seja tudo em todos” (Documento 105, nº 124).

 

Portanto, o cristão leigo é sujeito eclesial na medida em que assume com responsabilidade, ousadia e criatividade a sua missão de animar o mundo com o espírito das bem-aventuranças, com o espírito de Cristo.

 

É cada vez mais urgente e necessário, que os leigos e leigas tenham consciência da sua missão própria e específica.

 

O beato papa Paulo VI, em seu famoso documento sobre a evangelização no mundo contemporâneo afirma no nº 70: “O espaço próprio da atividade evangelizadora dos leigos e leigas é o mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos “mass media”, e outras realidades abertas à evangelização, como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento”. Além disso, eles têm o dever de fazer crível a fé que professam, mostrando a autenticidade e coerência em sua conduta.

 

São João Paulo II dizia que a evangelização do nosso continente não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos.

 

O documento de Aparecida diz no nº 111: “Os leigos também são chamados a participar na ação pastoral da Igreja, primeiro com o testemunho de vida, e em segundo lugar, com ações no campo da evangelização, da vida litúrgica e outras formas de apostolado, segundo as necessidades locais sob a guia de seus pastores”.

 

Que cada vez mais possamos contar com a atuação dos leigos e leigas na Igreja e na sociedade, como sal da terra e luz do mundo.

Que possamos evangelizar com amor, ardor, alegria e misericórdia, inspirados por Maria.

 

Padre Tarcísio