Evangelização e promoção humana

A relação entre evangelização e promoção humana é profunda como a fé e a caridade.

 

O Documento de Aparecida diz que todo processo evangelizador envolve a promoção humana e a autêntica libertação “sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade”.

 

 

O documento da IV Conferência dos Bispos da América Latina (Santo Domingo) considera a promoção humana como dimensão privilegiada da nova evangelização. As atuais diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil apresenta urgência na evangelização o serviço à vida plena para todas as pessoas. O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus.

 

O Documento de Aparecida aponta os novos rostos pobres que emergem da globalização: os refugiados, os migrantes, as vítimas do tráfico de pessoas, as enfermidades endêmicas, os tóxicos dependentes, meninos e meninas vítimas da prostituição, mulheres maltratadas e vítimas da exclusão e do tráfico para exploração sexual, etc. E afirma que a Igreja, com sua pastoral social, deve dar acolhida e acompanhar essas pessoas excluídas nas respectivas esferas. No Brasil, a renda dos mais pobres diminuiu consideravelmente de 2016 para cá. Os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres.

 

A Igreja vive dentro deste mundo globalizado, interpelada a um permanente discernimento. O desafio do cristão será sempre viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17,15-16). Discernir significa aprender a separar as coisas positivas das negativas que fazem parte do mesmo modo de vida atual. “Uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os setores mais pobres. Os excluídos não são somente “explorados”, mas “supérfluos” e “descartáveis” (D. Ap. 65). O Papa tem insistido par vencermos a cultura do descartável, do supérfluo.

 

O documento de Aparecida nos fala de uma pastoral social para a promoção humana integral. Temos a missão de promover renovados esforços para fortalecer nossas pastorais sociais para que elas possam, com a assistência e a promoção humana, se fazerem presentes onde a situação de exclusão e marginalização ameaça e prejudica a vida dos mais pobres e injustiçados. Os diferentes serviços das pastorais sociais colocam-se na dinâmica do seguimento de Jesus, para que nele os marginalizados, os excluídos, os descartados, os pobres tenham vida, e a tenham em abundância.

 

É importante a participação dos agentes das pastorais sociais nas reuniões mensais das Unidades Básicas de Saúde, nos conselhos de direitos que estão presentes na cidade e nas sessões da Câmara Municipal. Não pode faltar também o compromisso das pastorais sociais com a defesa do meio ambiente, a nossa casa comum.

 

O Papa Francisco, na alegria do Evangelho, afirma que cada cristão e cada comunidade são chamados a ser instrumentos de Deus a serviço da libertação e da promoção dos pobres, para que possamos integrar-se plenamente na sociedade; e que ouvir o clamor do pobre é ouvir a Deus. Segundo Bento XVI, a pastoral social é chamada a “dar razões da sua esperança” pela solidariedade e pela caridade promocional e libertadora. A promoção humana, como indica a doutrina social da Igreja, deve levar o homem e a mulher a passar de condições desumanas para condições humanas de vida.

Padre Tarcísio

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